A vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) na última quinta-feira (6) por suposto crime de discriminação ou preconceito de procedência nacional contra a também vereadora Vanda de Assis (PT).

O caso ocorreu durante uma sessão ordinária da Câmara Municipal de Curitiba, na quarta-feira (5), enquanto os parlamentares discutiam um Projeto de Lei (PL) voltado à população em situação de rua. Durante o debate, Guzella questionou a colega, que é natural de Campos Sales, no Ceará, sobre o motivo de ela não retornar ao Estado.

Vereadora, a senhora é de Campos Sales, no Ceará?”, iniciou Tathiana. “Se a senhora gosta tanto de proteger [inaudível], gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, os partidos correlatos ao PT, por que a senhora não volta para o Ceará? A senhora nasceu lá e vem encher o saco aqui“, finalizou.

DENÚNCIA MP

Para o Ministério Público, as declarações tiveram o propósito de ofender, humilhar e menosprezar a vereadora e também a população cearense de maneira geral.

Além da denúncia, o MPPR pediu que Guzella seja condenada ao pagamento de 20 salários mínimos, valor estimado em R$ 32.420, à vereadora Vanda de Assis por danos morais.

O órgão também solicitou uma indenização de 40 salários mínimos, aproximadamente R$ 64.840, por dano moral coletivo. O valor, caso seja determinado pela Justiça, deverá ser destinado ao Fundo Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (FUNDEPPIR).

Vereadora nega xenofobia

Em nota, Tathiana Guzella afirmou ter recebido a denúncia com surpresa, mas disse estar tranquila e reafirmou ser inocente.

Segundo a vereadora, a fala foi interrompida antes que ela concluísse o raciocínio e não teve caráter xenofóbico, mas fazia parte do debate político sobre o projeto de lei em discussão.

A parlamentar afirmou ainda que pretende apresentar sua manifestação no processo após ser formalmente citada.

“Esclareço que a intenção da minha fala, que foi interrompida antes da conclusão do pensamento, jamais foi xenofóbica, mas sim pontualmente política, a fim de refutar teses do projeto de lei que estava em discussão”, afirmou Guzella.

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Fonte: Ceará Agora