A relação entre cliente e advogado deve ser baseada em confiança, proximidade e transparência. Esse foi um dos principais recados do advogado previdenciarista Paulo Bacelar durante Bate Bapo com o jornalista Luzenor de Oliveira, no Jornal Alerta Geral, ao responder à dúvida de uma ouvinte sobre a demora na tramitação de um processo de pensão por morte.

Ao comentar o caso de Simone Alves, de Fortaleza, que questionou a lentidão de uma ação conduzida por uma advogada, Bacelar ressaltou que, por questões éticas, não pode opinar sobre processos patrocinados por outros profissionais. Aproveitou, porém, para orientar os segurados sobre como deve ser a relação com a assessoria jurídica.

Segundo ele, a contratação de um advogado deve ser feita de forma consciente, permitindo que o cliente conheça o profissional, saiba onde fica seu escritório e tenha acesso direto aos canais de comunicação.

“É importante conhecer o advogado, ter o contato dele, saber onde fica o escritório e poder conversar sempre que surgir uma dúvida. Transparência e diálogo são fundamentais”, destacou.

O advogado também observou que um processo judicial com quatro meses de tramitação, por si só, não caracteriza demora anormal, já que muitas ações exigem análises mais longas por parte da Justiça.

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GOLPE DO FALSO ADVOGADO

Durante o programa, Luzenor de Oliveira relatou que quase foi vítima do chamado golpe do falso advogado, em que criminosos utilizam a foto e o nome de profissionais conhecidos para enganar clientes e solicitar depósitos via Pix.

Os golpistas chegaram a apresentar cópias de documentos do processo e marcaram uma suposta audiência virtual, tentando convencer a vítima de que seria necessário antecipar valores para liberar uma indenização.

Paulo Bacelar explicou que esse tipo de fraude tem se tornado cada vez mais comum, principalmente na área previdenciária.

Segundo ele, criminosos copiam fotos de advogados nas redes sociais e entram em contato com clientes informando falsamente que o processo foi concluído e que existe um valor elevado a receber.

Em seguida, solicitam depósitos para supostas taxas judiciais, liberação de alvarás ou pagamento de impostos.

“O golpe sempre cria uma situação de urgência. A pessoa é informada de que ganhou uma causa e precisa fazer um pagamento imediato para receber o dinheiro. É justamente nesse momento que ela deve desconfiar”, alertou.

Confira o número, não apenas a foto

Bacelar orienta que os clientes nunca confiem apenas na fotografia exibida no WhatsApp.

A recomendação é verificar cuidadosamente o número do telefone, confirmar se ele corresponde ao contato verdadeiro do advogado e, diante de qualquer dúvida, ligar diretamente para o escritório antes de fornecer informações ou realizar qualquer transferência bancária.

Outra orientação é observar quem aparece como destinatário do Pix.

Segundo o advogado, escritórios normalmente utilizam contas vinculadas ao CNPJ. Se o pagamento estiver sendo solicitado para uma conta de pessoa física desconhecida, o cliente deve interromper imediatamente a operação.

Golpes dificilmente permitem recuperação do dinheiro

Paulo Bacelar explicou que, na maioria dos casos, as vítimas não conseguem recuperar os valores transferidos aos criminosos, mesmo quando procuram as instituições financeiras.

Por isso, a principal prevenção continua sendo a conferência das informações antes de qualquer pagamento.

“Bloqueie o número suspeito, denuncie no WhatsApp e entre em contato diretamente com o seu advogado. Nunca faça depósitos sem confirmar a autenticidade da solicitação”, recomendou.

Aposentado pode continuar trabalhando em quase todas as situações

Durante a entrevista, o advogado também respondeu à dúvida do ouvinte Paulo Henrique, esclarecendo que o aposentado pode continuar exercendo atividade com carteira assinada na maioria dos casos.

As exceções, segundo Bacelar, são a aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez) e a aposentadoria especial, quando o trabalhador não pode permanecer exercendo a mesma atividade que gerou o direito ao benefício por exposição a agentes nocivos.

Ele exemplificou que um trabalhador da indústria calçadista, aposentado de forma especial por exposição a produtos químicos, poderá continuar na empresa, desde que seja transferido para uma função administrativa ou outra atividade sem contato com agentes prejudiciais à saúde.

Ao encerrar o bate-papo, Paulo Bacelar reforçou que informação, planejamento e uma relação transparente entre advogado e cliente são fundamentais para garantir segurança jurídica e evitar prejuízos provocados por golpes cada vez mais sofisticados.

Fonte: Ceará Agora