A disputa pelas vagas do Ceará na Câmara dos Deputados em 2026 apresenta um grupo de candidaturas femininas com aportes expressivos do fundo eleitoral. A mobilização de recursos financeiros, o apoio de esposos e pais, as bases municipais e a articulação partidária ampliam a participação das mulheres na corrida pela bancada federal cearense.
Dos 40 nomes de candidatos à Câmara Federal, com prestação de contas registrada no TSE, 11 são mulheres. Entre elas, estão candidatas com trajetórias políticas próprias e outras que, além da experiência pessoal, contam com vínculos familiares com prefeitos, deputados e lideranças presentes na política estadual.
Os recursos não permitem antecipar o resultado das urnas, mas revelam o espaço financeiro destinado pelos partidos a essas candidaturas e a estrutura disponível para a campanha. Quanto maior o volume de dinheiro, melhor a estruturação da campanha.
CAMPEÃ DO FUNDO ELEITORAL
A candidata com maior volume de recursos na lista é a primeira-dama de Juazeiro do Norte, Sandrinha Cavalcante (Cidadania), com R$ 3,1 milhões. Ela soma o maior valor de verbas do Fundo Eleitoral entre os candidatos à Câmara Federal no Ceará.
Com a mais ampla base política herdada do esposo Júnior Mano, que é deputado federal e primeiro suplente do PSB ao Senado, Giordanna Mano (PRD), com R$ 3 milhões, aparece em segundo lugar na lista de nomes mais contemplados com o dinheiro do Fundo Eleitoral.
O terceiro maior volume de verbas é da ex-deputada federal Dayany do Capitão (União), com R$ 2,9 milhões, seguida por Fernanda Pessoa (PSD), com R$ 2,8 milhões, e Erika Amorim (Republicanos), com R$ 2,566 milhões.
FORÇA DAS FAMÍLIAS TAMBÉM APARECE NA DISPUTA
Além do crescimento da presença feminina e dos recursos destinados às candidaturas, a eleição de 2026 evidencia outra característica conhecida da política cearense: a participação de famílias que mantêm atuação em diferentes espaços de poder e constroem bases eleitorais ao longo dos anos.
O surgimento das candidaturas femininas tem, também, o suporte familiar: nesse contexto, aparecem mulheres que receberam incentivo e apoio político dos maridos para entrar ou permanecer na disputa por mandatos, ao mesmo tempo em que constroem suas próprias trajetórias eleitorais.
FORÇA NO CARIRI
Sandrinha Cavalcante, que aparece no topo da lista de recursos, é esposa do prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra, e chega à corrida pela Câmara Federal inserida em uma base política municipal já estruturada. Glêdson exerce o segundo mandato e é único prefeito reeleito na história política de Juazeiro do Norte.
Ex-deputada estadual, ex-candidata ao Senado, Erika Amorim, outra candidata entre as mais contempladas pelo fundo eleitoral, é esposa do prefeito de Caucaia, Naumi Amorim. Erika exerceu mandato na Assembleia Legislativa e, em 2022, chegou a concorrer, pelo PSD, ao Senado. Hoje é filiada ao Republicanos.
Outro nome que ascendeu na política é Tainah Marinho, que recebeu aproximadamente R$ 1,7 milhão. Esposa do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Aldigueri, Tainah que, em 2024, disputou a Prefeitura de Barroquinha, concorre, pela primeira, a um mandato parlamentar.
Giordanna Mano soma vínculo familiar e experiência eleitoral própria. Ex-prefeita de Nova Russas, ela é esposa do deputado federal e primeiro suplente ao Senado Júnior Mano e recebeu R$ 3 milhões do fundo eleitoral.
Outra candidatura inserida nesse contexto é a de Dayany do Capitão. Ex-deputada, Dayany é esposa do ex-deputado federal e candidato ao Senado Capitão Wagner e aparece na relação com R$ 2,9 milhões.
No caso de Fernanda Pessoa, o vínculo familiar vem de outra geração. Deputada Ex-deputada estadual e, atualmente, no segundo mandato na Câmara Federal, Fernanda é filha do prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, e recebeu do Fundo Eleitoral R$ 2,8 milhões.
MULHERES COM MAIORES REPASSES
RECURSOS, BASES E REPRESENTAÇÃO FEMININA
O volume destinado pelo fundo eleitoral amplia a capacidade de estruturação das campanhas, mas a conquista de uma cadeira depende também da votação individual, das bases municipais, do desempenho dos partidos e das federações e das regras do sistema proporcional.
Cada partido ou federação precisa de, pelo menos, 235 mil votos no Ceará para conquistar uma cadeira na Câmara Federal. Esse número é uma projeção para o quociente eleitoral, que é oriundo da divisão dos votos válidos pela quantidade (22) de vagas na Câmara Federal. Em 2022, o quociente eleitoral ficou em 232.193 votos.
Fonte: Ceará Agora





