O aumento das temperaturas, os períodos de estiagem, a fumaça provocada pelas queimadas e as chuvas intensas previstas para diferentes regiões do Brasil, sob influência do El Niño, podem trazer impactos para a saúde nos próximos meses.

Entre os principais riscos estão o aumento da circulação da dengue, o agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares e a ocorrência de casos de desidratação relacionados às altas temperaturas.

Confirmado em junho, o fenômeno climático deve persistir, pelo menos, até o início de 2027. De acordo com o Painel El Niño 2026-2027, há alta possibilidade de o evento atingir intensidade muito forte entre a primavera e o começo do verão. A previsão indica aumento das chuvas no Sul, redução das precipitações em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e temperaturas acima da média em grande parte do país.

DENGUE

Em julho, o Ministério da Saúde alertou estados e municípios sobre a possibilidade de crescimento na transmissão de arboviroses, como dengue e chikungunya. Uma projeção do InfoDengue, da Fiocruz, estima que o Brasil possa registrar aproximadamente 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.

A estimativa não é uma previsão definitiva. Até 20 de junho de 2026, o país registrava redução de 73% nos casos de dengue em comparação com o mesmo período do ano passado. O alerta leva em consideração, no entanto, que temperaturas mais altas e o aumento das chuvas em determinadas regiões podem favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Em áreas de estiagem, o armazenamento inadequado de água também pode contribuir para a formação de criadouros.

CALOR

A exposição prolongada a temperaturas elevadas pode causar desidratação, insolação e sobrecarga do coração e dos pulmões. Sintomas como transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça e cãibras exigem atenção. Já sinais como confusão mental, convulsões e perda de consciência podem indicar uma situação de emergência.

Para reduzir os riscos, é importante manter a hidratação ao longo do dia, evitar atividades ao ar livre nos períodos de maior calor e permanecer em locais frescos e ventilados. Crianças, idosos e pessoas que dependem de cuidados podem ter dificuldade para perceber ou comunicar a sede e, por isso, precisam de acompanhamento mais frequente.

Em regiões afetadas por enchentes, o contato com água contaminada também aumenta o risco de doenças como leptospirose, hepatite A e infecções diarreicas, além de elevar a possibilidade de acidentes e ferimentos.

Fonte: Ceará Agora