A intensa onda de calor que atinge o Hemisfério Norte continua provocando impactos em diferentes países. Na Europa, o fenômeno foi associado a mais de 16 mil mortes e a incêndios florestais de grandes proporções nos Estados Unidos. Na Coreia do Sul, a crise climática já deixou 19 mortos entre 15 de maio e 2 de agosto.
A Agência de Controle e Prevenção de Doenças sul-coreana informou que este é o verão mais quente já registrado no país. Apenas na última semana, recordes de temperatura foram superados em três ocasiões. No domingo, os termômetros chegaram a 42,5°C em Yangsan, no sudeste do país. Já na segunda-feira, Seul permaneceu sob alerta máximo, com a agência meteorológica advertindo que o calor extremo representa risco à vida.
Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que, nas últimas três décadas e meia, as mortes relacionadas ao calor aumentaram 23% em todo o mundo. Segundo o documento, cerca de 546 mil pessoas morrem todos os anos em consequência direta das altas temperaturas, que podem provocar desde insolação grave até infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Brasil
No Brasil, a preocupação cresce diante da previsão de um El Niño de forte intensidade no segundo semestre deste ano e nos primeiros meses de 2027. Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), aponta que aproximadamente 20 mil mortes foram associadas às ondas de calor nas duas últimas décadas.
O estudo indica que os impactos atingem principalmente idosos, responsáveis por cerca de 80% dos óbitos, além de mulheres e pessoas com menor nível de escolaridade.
Doenças associadas ao calor
A pesquisa também identificou que as doenças cardiovasculares e respiratórias lideram as causas de mortes relacionadas ao calor extremo, somando cerca de 34 mil e 24 mil registros, respectivamente.
Outro estudo, realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicado na revista Plos Climate, aponta que, entre 2010 e 2020, o Brasil registrou 66 mil mortes por doenças respiratórias. Desse total, 6% estiveram associadas às temperaturas extremas.
Embora essas doenças sejam mais frequentes durante o inverno, a pesquisa concluiu que elas tiveram maior relação com os dias de calor intenso. Cerca de 4,27% dos óbitos ocorreram em períodos de altas temperaturas, enquanto 1,81% foram registrados nos dias mais frios.
Fonte: Ceará Agora





