O número de brasileiros que têm nas plataformas digitais sua principal fonte de renda disparou nos últimos três anos. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (4), mostra que o contingente de trabalhadores por aplicativos passou de 1,3 milhão, em 2022, para 1,8 milhão em 2025, um crescimento de 36,8%. Apenas no último ano, o avanço foi de 9,1%. Essa tendência de crescimento acontece, também, no Ceará.

A pesquisa considera apenas os profissionais que utilizam aplicativos como atividade principal, deixando de fora aqueles que recorrem às plataformas apenas como complemento de renda ou segundo emprego.

Os dados fazem parte da terceira edição do estudo “Trabalho por meio de plataformas digitais”, realizado pelo IBGE em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho (MPT).

CRESCIMENTO ABSOLUTO

Além do crescimento absoluto, aumentou também a participação desses trabalhadores no mercado de trabalho brasileiro. Em 2022, eles representavam 1,5% dos ocupados no setor privado. Em 2025, esse percentual chegou a 2%, dentro de um universo de 89,6 milhões de pessoas ocupadas.

Quando são incluídos os trabalhadores que utilizam aplicativos como segunda atividade, o total sobe para 1,96 milhão de pessoas. Ainda assim, a grande maioria (92,1%) depende das plataformas como principal ocupação.

TRANSPORTE LIDERA

Os aplicativos de transporte de passageiros continuam sendo o principal segmento da chamada economia de plataformas. Em 2025, os motoristas somavam 1,036 milhão de trabalhadores, contra 752 mil em 2022, alta de 37,8%.

Já o setor de entregas foi o que mais acelerou no último ano. O número de entregadores passou de 274 mil em 2024 para 325 mil em 2025, crescimento de 18,6% em apenas 12 meses.

Outro destaque foi o avanço dos aplicativos voltados para serviços profissionais e gerais, como limpeza, reformas, tecnologia da informação, engenharia, arquitetura, design, tradução, serviços jurídicos e atendimentos on-line na área da saúde. Esse grupo cresceu 55,4% entre 2022 e 2025, passando de 193 mil para 300 mil trabalhadores.

MAIORIA NO SUDESTE

O levantamento mostra ainda que o Sudeste reúne mais da metade dos trabalhadores por aplicativos do país, com 1,08 milhão de pessoas, o equivalente a 55,3% do total nacional.

Pela primeira vez, a pesquisa investigou também o chamado trabalho secundário, permitindo identificar quantos brasileiros utilizam plataformas apenas para complementar a renda. O estudo também passou a medir o grau de dependência dos trabalhadores em relação aos aplicativos e incluiu perguntas sobre o uso de plataformas de comércio eletrônico por trabalhadores autônomos e empregadores.

Segundo o IBGE, apesar da diversificação das atividades oferecidas pelas plataformas digitais, o mercado brasileiro ainda é fortemente concentrado nos serviços de transporte de passageiros e de entrega de produtos e alimentos.

Fonte: Ceará Agora