A Secretária de Saúde do Estado, Tânia Mara Coelho, destaca, nesta sexta-feira (18), em entrevista ao Jornal Alerta Geral, que o Governo do Ceará avança na ampliação e regionalização da rede estadual de saúde, com investimentos em novos hospitais, expansão de serviços especializados e reforço da capacidade cirúrgica no Interior.
Segundo Tânia, entre as principais frentes, estão os hospitais regionais de Crateús, Baturité e Iguatu, a ampliação dos serviços em Itapipoca e novos investimentos no Cariri.
Simultânea às obras, o Estado, de acordo com a secretária, mantém o programa voltado à redução das filas de cirurgias eletivas, com a realização, desde 2023, de 587.398 procedimentos.
Tânia afirma que o Ceará praticamente dobrou sua capacidade anual de realização de cirurgias de média e alta complexidade em comparação com o período anterior à pandemia.
“Em 2019, antes da pandemia, o Estado do Ceará operava 90 mil pessoas por ano. Hoje, a gente está operando quase o dobro. A expectativa é que a gente chegue ao dobro este ano”, afirmou.
Segundo Tânia Mara, foram realizadas 165 mil cirurgias eletivas no ano passado, e a expectativa apresentada por ela é superar 180 mil procedimentos em 2026.
FILA É DINÂMICA: NOVOS PACIENTES ENTRAM TODOS OS DIAS
A secretária explicou que o número expressivo de procedimentos não significa que a fila possa ser definitivamente zerada, porque diariamente surgem novos pacientes com indicação cirúrgica. Entre as maiores demandas estão as cirurgias de catarata, vesícula, histerectomia e procedimentos ortopédicos.
A ortopedia representa um desafio adicional por envolver, em muitos casos, procedimentos de maior complexidade e utilização de próteses de alto custo.
Para enfrentar essa demanda, Tânia Mara afirma que o Estado passou a assumir diretamente alguns procedimentos mais complexos e cita, como exemplo, as cirurgias de coluna, realizadas na rede estadual, e as cirurgias de coluna pediátricas no Hospital Infantil Albert Sabin.
Segundo a secretária, havia cerca de 200 crianças aguardando esse tipo de procedimento, e a demanda acumulada foi atendida. A unidade continua realizando as novas cirurgias indicadas.
ACIDENTES DE MOTO PRESSIONAM REDE DE ORTOPEDIA
Um dos principais desafios relatados pela secretária é o impacto dos acidentes de trânsito, especialmente envolvendo motocicletas, sobre os serviços de traumatologia.
Tânia Mara relata uma visita ao Hospital Regional do Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte. Segundo ela, em determinado momento, uma emergência de traumatologia dimensionada para 15 pacientes estava atendendo 35. “Oitenta por cento, acidente de moto”, afirmou.
A consequência é que, diante da chegada de pacientes graves, cirurgias eletivas podem eventualmente ser suspensas para que as equipes e salas cirúrgicas atendam emergências com risco imediato. “Se esses pacientes chegam muito graves, nós temos que suspender cirurgias eletivas para poder dar vazão às cirurgias de urgência”, explicou.
A secretária ressaltou que a elevada demanda por traumatologia é observada em diferentes regiões do Ceará. A estratégia do Estado, conforme enfatiza, é ampliar a capacidade dos hospitais regionais para que esses pacientes sejam atendidos perto de onde vivem, diminuindo a necessidade de transferência para o Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza.
NOVOS HOSPITAIS TERÃO EMERGÊNCIA DE TRAUMATOLOGIA
A Secretária de Saúde enfatiza, ainda, que a descentralização do atendimento deverá ganhar força com a entrada em funcionamento de novos hospitais regionais.
Tânia Mara afirmou que as unidades de Crateús e Baturité terão emergência de traumatologia, assim como a estrutura planejada para Iguatu. “É para que tudo fique nas suas regiões”, resumiu.
Os hospitais regionais do Cariri e Norte, segundo a secretária, já recebem demandas de emergência de suas respectivas regiões.
CRATEÚS PODE SER ENTREGUE ENTRE SETEMBRO E OUTUBRO
Durante a entrevista, Tânia Mara apresentou também um cronograma das obras: o Hospital Regional de Crateús é o mais próximo de entrar em funcionamento. Segundo a secretária, a expectativa do Governo é entregar a unidade até o final de setembro ou, no máximo, em meados de outubro.
“Eu estive lá presencialmente, e a estrutura está bem, bem adiantada mesmo. Muito equipamento chegando”, afirma Tânia, ao ressaltar que ‘’a entrega depende não apenas da conclusão da estrutura física, mas da instalação dos equipamentos necessários ao funcionamento do hospital’’.
IGUATU E BATURITÉ
Já o Hospital Regional do Maciço de Baturité estaria com aproximadamente 40% das obras executadas.
Em Iguatu, o percentual informado é de aproximadamente 20%, com previsão de conclusão apresentada pela secretária para janeiro de 2028.
R$ 28 MILHÕES PARA AMPLIAR CIRURGIAS NO CARIRI
Outra frente de expansão está no Cariri. A secretária anunciou que o Governo abriu um edital de R$ 28 milhões para aumentar a realização de procedimentos na região.
A iniciativa contempla áreas como cirurgia vascular, cardíaca, ortopédica e urológica.
O objetivo, segundo Tânia Mara, é evitar que pacientes do Cariri precisem viajar para Fortaleza ou outras regiões para realizar procedimentos que podem ser oferecidos localmente.
Para ampliar a capacidade, o Estado realizou visitas técnicas e credenciou hospitais filantrópicos e privados, que passam a atuar em conjunto com as redes municipal e estadual.
ITAPIPOCA ZERA FILA DE CIRURGIA GERAL, DIZ SECRETÁRIA
Tânia Mara citou Itapipoca como exemplo dos efeitos da regionalização. Segundo ela, após a abertura do Hospital Regional de Itapipoca, no final do ano passado, foi possível zerar a demanda acumulada por cirurgias gerais no município.
“Nós já zeramos a fila de cirurgia geral de Itapipoca. Então, é isso que a gente quer”, afirmou.
A unidade recebeu ainda 20 leitos de UTI, serviços cirúrgicos, internação clínica, assistência psiquiátrica e equipamentos de diagnóstico.
NOVO CENTRO PARA ACELERAR DIAGNÓSTICO DO CÂNCER
Outra expansão prevista em Itapipoca é um centro de diagnóstico e patologia voltado também para pacientes oncológicos.
Segundo a secretária, a estrutura deverá ser inaugurada em novembro e contará com tecnologia para digitalização de lâminas de biópsias, permitindo análise integrada com uma instituição de referência em oncologia de São Paulo.
A intenção é reduzir o tempo entre a realização da biópsia, o diagnóstico e a definição do tratamento.
Tânia Mara afirmou que o objetivo é transformar a estrutura em um grande polo regional de diagnóstico e patologia.
EQUIPAMENTOS MILIONÁRIOS MOSTRAM CUSTO DA EXPANSÃO
A secretária chamou atenção ainda para o custo necessário para colocar e manter uma estrutura hospitalar em funcionamento. Uma UTI inaugurada recentemente em Itapipoca, segundo ela, demanda aproximadamente R$ 950 mil por mês para funcionar.
Um equipamento de ressonância magnética custou cerca de R$ 6 milhões, além de aproximadamente R$ 2 milhões destinados à preparação da estrutura necessária para sua instalação.
Equipamentos destinados ao laboratório de patologia ficam, segundo Tânia, na faixa de R$ 2 milhões a R$ 2,5 milhões. “Na saúde os valores são muito altos. É o equipamento, são os insumos, é pessoal”, afirmou.
META É INFORMAR AO PACIENTE QUANTO TEMPO ESPERARÁ
Para Tânia Mara, o desafio agora é continuar reduzindo não apenas o tamanho das filas, mas principalmente o tempo de espera de cada paciente.
Segundo a secretária, alguns procedimentos tiveram redução de até 80% na fila, enquanto determinadas cirurgias atualmente podem ser realizadas entre sete e dez dias após a indicação.
A meta é avançar para um sistema em que cada cidadão possa saber com maior precisão quanto tempo levará para ser atendido.
“Eu tenho certeza que nós vamos conseguir dizer para cada cidadão o seu tempo de espera: um mês, dois meses, para poder fazer algum procedimento de cirurgia”, afirmou.
Tânia Mara atribuiu os resultados à integração entre Estado, municípios e Governo Federal e disse que a continuidade dos investimentos será necessária para sustentar a expansão.
Fonte: Ceará Agora





