O município de Solonópole, no Sertão Central do Ceará, ganhou destaque em um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) que identificou uma área com potencial para novas descobertas de lítio. O estudo aponta que o avanço da exploração mineral na região poderá, no futuro, aumentar de forma significativa a arrecadação do Ceará com royalties da mineração.

A pesquisa faz parte do projeto de avaliação do potencial de lítio desenvolvido pelo SGB e reuniu informações obtidas por meio de levantamentos geológicos, análises de rochas e minerais, estudos geoquímicos e trabalhos de geofísica. Os pesquisadores também visitaram 68 ocorrências de lítio já conhecidas na área estudada.

Um dos pontos que chama atenção no levantamento é a concentração de pegmatitos com características associadas a sistemas de lítio, césio e tântalo. Em Solonópole, foram identificados 126 processos minerários ativos relacionados a 56 empresas. O lítio é atualmente uma das principais substâncias que despertam interesse na área.

Entre 2019 e 2023, cerca de R$ 5 milhões foram investidos em pesquisas relacionadas ao lítio no município. Apenas em 2023, foram aproximadamente R$ 4,2 milhões destinados aos trabalhos de pesquisa, o que representou a maior parte dos recursos aplicados para essa finalidade no Ceará naquele período.

O potencial identificado ainda não significa que o município já possua uma reserva de lítio pronta para exploração comercial. A confirmação de uma reserva economicamente viável depende de novas pesquisas, sondagens e análises que determinem a quantidade e a qualidade do minério existente.

Um dos locais investigados, conhecido como Bom Jesus de Baixo, apresentou resultados preliminares associados a pegmatitos do tipo LCT. Os dados apontam espessuras que podem chegar a 16 metros e uma possível continuidade superior a 500 metros, que ainda precisa ser confirmada por sondagens. Os investimentos inicialmente projetados para essa área ultrapassam R$ 22 milhões.

Caso as pesquisas avancem para projetos de extração em escala industrial, o impacto também poderá aparecer na arrecadação estadual. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) citados no levantamento mostram que o Ceará havia arrecadado R$ 11,6 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) até agosto de 2026. O Estado ocupava a 17ª posição nacional naquele momento.

A exploração, porém, enfrenta desafios. Entre eles está a disponibilidade de água, um fator considerado relevante para a instalação de estruturas de beneficiamento mineral no semiárido. O estudo do SGB aponta que tecnologias de reaproveitamento e reciclagem de água podem fazer parte das soluções, mas a implantação dos empreendimentos dependerá da comprovação das reservas, da viabilidade econômica e do cumprimento das exigências ambientais.

O levantamento coloca Solonópole entre as áreas cearenses que podem ganhar importância na pesquisa por minerais considerados estratégicos. Para o município e para o Sertão Central, o avanço dos estudos representa a possibilidade de novos investimentos no setor mineral, mas os resultados econômicos dependerão da confirmação das ocorrências e da transformação do potencial geológico em projetos efetivamente viáveis.

Fonte: Revista Central