Uma semana após a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, a mãe da jovem, Isorlanda Caracristi, cobra respostas sobre o que aconteceu com a filha, questiona o paradeiro do namorado, João Munhoz Neto, e o silêncio da família dele. Cercado de dúvidas e ainda sem esclarecimento definitivo da polícia, o caso ganhou repercussão nacional e foi tema de ampla reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (20).

A Polícia do Ceará procura João, namorado de Isabelle, enquanto tenta reconstruir os últimos momentos da estudante. Imagens de câmeras de segurança divulgadas neste domingo mostram parte da movimentação da jovem e do namorado nas horas que antecederam a morte.

A mãe de João, Sara Regina Alexandre Munhoz, foi localizada pela polícia em uma praia de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, e teve o telefone celular apreendido. Ela é coordenadora de execução da saúde prisional da Secretaria da Administração Penitenciária.

O caso permanece envolto em perguntas. A Perícia Forense voltou, com auxílio de drones, ao edifício localizado em uma área nobre de Fortaleza onde o corpo de Isabelle foi encontrado em uma área externa. Manifestantes também se reuniram em frente ao condomínio para cobrar esclarecimentos.

Segundo nota da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, exames realizados identificaram lesões no corpo da estudante compatíveis com o impacto contra o solo. Os exames laboratoriais, de acordo com a pasta, apresentaram resultado negativo para substâncias toxicológicas. O laudo pericial que deverá reunir as conclusões sobre a morte ainda é aguardado.

Isabelle estava morando havia poucas semanas no prédio com João, um irmão dele e a mãe do namorado. Isabelle e João haviam se conhecido em julho, em um escritório de advocacia onde ele trabalhava e ela era estagiária.

Relatos de ciúmes

À reportagem do Fantástico, Isorlanda contou que a filha vinha reclamando do comportamento ciumento e possessivo do namorado.

“Ela começou a me relatar que bastava ela descer para lanchar com as amigas do trabalho, quando via ele já estava lá junto. Quando ela descia, às vezes, para comprar um remédio na farmácia quando sentia cólica, ele já estava lá. Reclamava que ele era muito ciumento, que para onde ela ia, ele tava também”, relatou.

No domingo em que morreu, Isabelle passou o dia na casa da mãe. À noite, as duas ainda trocaram mensagens. A jovem reclamava de um torcicolo e disse que iria descansar. A conversa terminou com uma troca de “te amo” entre mãe e filha.

A última mensagem de Isabelle foi enviada às 19h22.

Imagens registram últimas horas

Imagens das câmeras de segurança do condomínio, obtidas pelo Diário do Nordeste e exibidas na reportagem, mostram Isabelle chegando ao prédio às 17h58. João desce para encontrá-la na portaria e os dois sobem juntos pelo elevador.

Às 18h33, João deixa o prédio usando outra roupa. Antes de sair, as imagens do elevador mostram um movimento que aparenta ser uma troca de anel na mão direita.

Às 19h12, dez minutos antes da última mensagem enviada à mãe, Isabelle aparece entrando no elevador e seguindo em direção à cobertura, localizada no 23º andar. O apartamento onde morava com o namorado ficava no 15º andar.

Segundo as informações divulgadas pela polícia, a morte ocorreu por volta das 20h40. João aparece novamente nas imagens retornando ao prédio às 22h48, quando o carro da Perícia Forense já estava na garagem.

Outras gravações do sistema de segurança estão sob análise. A polícia já colheu quatro depoimentos e prevê ouvir outras pessoas para tentar esclarecer a sequência dos acontecimentos.

“Por que não me avisaram?”

Isorlanda afirma que somente soube da morte da filha no dia seguinte, quando foi ao prédio após várias tentativas frustradas de contato com João.

“Liguei pra ele várias vezes. Aí eu disse: ‘como é que é isso?’, até que eu me toquei que a imagem dele não tava mais no WhatsApp e que eu tinha sido bloqueada”, contou.

A mãe também questiona por que ninguém da família do namorado entrou em contato com ela após a morte de Isabelle.

“Alguém da família podia ter tido a dignidade de entrar em contato comigo e ninguém entrou. Então eu quero respostas. Por que não me avisaram? Por que fugiram? Por que até hoje ninguém entrou em contato comigo? Eu quero essas respostas e quero justiça pra minha filha”, afirmou.

O Fantástico informou que tentou contato com a mãe de João desde sábado, mas não obteve retorno.

Enquanto a investigação prossegue, permanecem questões centrais ainda sem resposta: o que aconteceu entre a última imagem de Isabelle com vida e o momento em que seu corpo foi encontrado; por que ela seguiu para a cobertura do edifício; onde estava João naquele período; e por que a família do namorado não procurou a mãe da estudante após a morte.

Fonte: Ceará Agora