Uma família denunciou policiais militares por supostas agressões e tortura contra um jovem de 18 anos em Capistrano, no interior do Ceará. Segundo os relatos, o rapaz teria sido submetido a violência com faca, martelo e saco plástico durante uma abordagem realizada na tarde do sábado (17), no distrito de Sítio Curimatã.
De acordo com os boletins de ocorrência registrados pela família junto à Polícia Civil e à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), os agentes teriam entrado na residência sem apresentar mandado judicial. No momento, os familiares estavam reunidos para comemorar um aniversário. A denúncia aponta que o jovem sofreu golpes no joelho com um martelo, agressões com um cabo de vassoura, um ferimento de faca na mão e sufocamento com um saco plástico na cabeça.
Ainda conforme a família, os policiais procuravam informações sobre um homem apontado como integrante de uma facção criminosa. Os parentes, porém, afirmam que o jovem não conhece o suspeito. Após a abordagem, a família registrou as lesões da vítima em vídeo e formalizou as denúncias aos órgãos competentes.
Família relata outras ocorrências
Os familiares afirmam que o episódio não teria sido o primeiro envolvendo violência policial contra o jovem. Em junho deste ano, militares teriam entrado na residência sem autorização, feito questionamentos sobre suspeitos de crimes e danificado o celular do rapaz ao jogar o aparelho na água. Segundo os relatos, a família não denunciou o caso na época por medo de represálias.
Nos registros apresentados, uma parente também relatou supostas ameaças de morte contra o jovem, incluindo a possibilidade de os policiais simularem um suicídio ou uma troca de tiros caso as agressões fossem denunciadas. Em 15 de outubro, os agentes também teriam ido à casa de uma irmã da vítima à procura de outro suspeito. A família afirma que a mulher teve um breve relacionamento com o homem, mas que os dois já não estavam juntos.
Órgãos de segurança apuram denúncia
A CGD informou que investiga o caso na esfera administrativa. A Polícia Militar do Ceará, por sua vez, comunicou que instaurará uma investigação preliminar para apurar os fatos relatados, sem prejuízo da apuração independente conduzida pela Controladoria.
Em nota, a defesa da família afirmou que está adotando as medidas legais necessárias para esclarecer as circunstâncias da ocorrência e buscar a responsabilização criminal, civil e administrativa dos possíveis envolvidos. A advogada também destacou a necessidade de proteger a integridade física e psicológica do jovem, que, segundo a defesa, teme por sua vida e pela possibilidade de sofrer represálias.
A defesa ressaltou ainda que a atuação policial deve respeitar os limites constitucionais e os direitos fundamentais, afirmando que nenhuma função pública justifica práticas de tortura, violência arbitrária ou abuso de autoridade.
Fonte: Revista Central





