Quixadá: O dia dos pais costuma ser uma data feliz em famílias completas. Mas há um outro lado da moeda: aquelas onde os filhos não possuem pais, pois apesar de terem um genitor não foram reconhecidos como filhos na hora de ser registrados.

De acordo com dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), nos últimos dez anos, 823 crianças foram registradas com pais ausentes em Quixadá. O levantamento foi feito com exclusividade pelo Revista Central.

O conceito de pai ausente no momento do registro de nascimento refere-se à situação em que apenas a mãe comparece ao cartório e o homem indicado por ela não está presente para assumir a paternidade, recusa-se a assinar ou não é identificado.

Do início de 2016 até a última sexta-feira (7), 9.916 crianças nasceram e foram registradas em cartório em Quixadá, mas em 8,3% dos casos, o processo foi feito na condição de pai ausente. O recorte específico do ano de 2026 é ainda mais cruel: dos 63 registros feitos em cartório, 52 foram realizados sem o pai reconhecendo o bebê como filho.

Em 2025, o Ceará registrou 53.950 nascimentos, dos quais 2.890 não contam com a filiação paterna. Embora esses números se refiram a crianças nascidas no ano em questão, é preciso lembrar que há uma quantidade incalculável de crianças, adolescentes e até adultos que seguem sem o nome do pai em seus documentos oficiais, acumulando consequências emocionais, sociais e jurídicas.

“Historicamente, no Brasil, a carga do cuidado e da criação de filhos recai majoritariamente sobre as mulheres, e o registro exclusivo no nome da mãe evidencia esse desequilíbrio”, analisa a defensora pública geral do Estado do Ceará, Sâmia Farias.

Além das implicações emocionais para a criança, a ausência do registro paterno pode impactar o acesso a direitos fundamentais, como pensão alimentícia, herança e benefícios previdenciários. É também um desafio para a efetividade de políticas públicas que dependem de dados sobre núcleos familiares completos.

Fonte: Revista Central