Quixadá: O Açude do Cedro, situado neste Município do Sertão Central, completa nesta segunda-feira (26) 120 anos. A barragem no rio Sitiá foi a primeira grande obra hídrica e de combate à seca construída pelo governo no país. A ordem partiu de Dom Pedro II, depois da seca que atingiu o Ceará entre 1877 e 1879.
Uma comissão criada pelo imperador escolheu o Ceará para receber o projeto em 1877. O governo imperial encomendou estudos ao engenheiro Ernesto Antônio Lassance Cunha e a outros técnicos. Em 1882, o engenheiro britânico Jules Jean Revy elaborou o primeiro projeto e coordenou as obras preliminares, como uma estrada de acesso e a instalação das máquinas. Com a Proclamação da República, Revy deixou o empreendimento.
O engenheiro Ulrico Mursa, da Comissão de Açudes e Irrigação, modificou o projeto em 1889. As obras começaram em 15 de novembro de 1890 e passaram por várias interrupções. O engenheiro Bernardo Piquet Carneiro assumiu a direção em 1900 e concluiu a construção em 1906. Depois do Cedro, o governo passou a projetar outras barragens no semiárido.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a parede em arco de alvenaria de pedra fez do Cedro a primeira grande obra hidráulica moderna da América do Sul. O coroamento tem pilares em cantaria e um guarda-corpo de ferro fabricado em 1906 pela empresa escocesa Walter Macfarlane e Co. O açude fica ao pé da Pedra da Galinha Choca e foi tombado pelo Iphan em 1977.
O reservatório tem capacidade para 125 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 50 mil piscinas olímpicas. Em mais de um século, sangrou seis vezes: em 1924, 1925, 1974, 1975, 1986 e 1989. Secou por completo quatro vezes: em 1930, 1932, 1950 e 1999. Hoje opera com baixo volume e já não é a principal fonte de abastecimento de Quixadá.
Em abril de 2015, o açude entrou na lista indicativa brasileira do Patrimônio Mundial. O governo federal, por meio do Iphan, apresentou a candidatura do Cedro ao título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Fonte: Revista Central





