Apesar de o Brasil contar com vacina contra o HPV e métodos capazes de identificar lesões antes que evoluam para um tumor, apenas 36% das mulheres que fazem parte do público-alvo realizam de forma efetiva o rastreamento do câncer do colo do útero. O dado foi apresentado durante o 4º Fórum de Políticas Públicas para o Câncer Ginecológico, realizado na Câmara dos Deputados.

O percentual está abaixo da meta de 70% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O atual modelo de rastreamento, baseado principalmente na realização ocasional do exame Papanicolau, também pode levar à repetição de exames em algumas pacientes, enquanto outras permanecem sem acompanhamento.

Segundo os dados apresentados no fórum, o Brasil registra 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano e contabilizou 7.209 mortes pela doença em 2023. Cerca de 60% dos diagnósticos são realizados quando o câncer já está em estágio localmente avançado.

FERRAMENTA DE DETECÇÃO

Durante o evento, foi lançado o Radar Nacional da Eliminação do Câncer do Colo do Útero, ferramenta que reunirá, anualmente, informações de bases públicas para acompanhar diferentes etapas da prevenção e do tratamento da doença, desde a vacinação contra o HPV até o acesso ao diagnóstico e à assistência médica.

A proposta é identificar os locais onde a cobertura dos serviços avança e apontar as regiões que ainda apresentam falhas no atendimento.

Entre as mudanças que serão monitoradas está a implantação do teste de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). Mais sensível do que o Papanicolau, o exame permite ampliar para até cinco anos o intervalo entre os rastreamentos quando o resultado é negativo.

Dados de julho indicam que 108 municípios de 17 unidades da Federação já haviam iniciado a coleta, com pouco mais de 80 mil testes realizados. A implantação, no entanto, ainda ocorre de maneira desigual pelo país.

VACINAÇÃO CONTRA O HPV

Na vacinação, o Brasil também permanece abaixo da meta estabelecida pela OMS, que prevê a imunização de 90% das meninas até os 15 anos. Dados parciais de 2026 apontam cobertura próxima de 80% entre meninas e 72% entre meninos.

A comparação com anos anteriores, porém, exige cautela. Em 2024, o país adotou o esquema de dose única da vacina contra o HPV, o que modificou o critério utilizado para considerar uma pessoa imunizada.

Fonte: Ceará Agora